São raras as vezes que ouvimos as palavras, albinismo ou albino. Por saber que existem muitas pessoas que desconhecem tais conceitos decidi escrever sobre este tema.

Espero que os seres humanos entendendam que os albinos são seres humanos exactamente iguais às pessoas consideradas “normais”.

O que os diferencia dos restantes humanos é a cor da pele, dos olhos e do cabelo. Um outro aspecto que os distingue, são as suas limitações físicas. Visto que não podem apanhar sol, pois é demasiado prejudicial para a sua saúde. Tudo o resto é exactamente igual a um outro ser humano.

Levam uma vida normal ou tentam que assim seja, visto que existem muitas pessoas preconceituosas. Em África, chegam ao cúmulo de matarem os albinos.

Pessoalmente, custa-me aceitar o que os meus semelhantes fazem com outros nossos semelhantes!

Na minha opinião, o ignorante é aquele que se julga demasiado sabedor, mas na realidade tudo ignora!

Por ignorarem, por não se informarem, discriminam os outros que julgam diferentes. Que por sua vez, levam os mais influenciáveis também a discriminar.

Pobre daquele que não tem uma opinião própria, livre das opiniões dos demais!

Se pensassem por si, talvez reflectissem um pouco no sofrimento que causam às pessoas.

Nunca irei entender os seres humanos! Principalmente os que se acham perfeitos. Os que têm uma ideia preconcebida de normalidade. Estas pessoas discriminam tanto os seres humanos de pele escura, como as pessoas de pele clara, neste caso, os albinos.

Quando será que o ser humano irá entender que o exterior pode ser diferente, mas o interior é igual em todos nós?

Apesar de muitas pessoas acharem o contrário, eu afirmo que os albinos não são monstros! Assim como, eles também não possuem poderes mágicos, como muitos povos em África acreditam.

Os albinos são pessoas iguais a qualquer outra ou talvez melhores, e mais sensíveis. No sentido de que todos os dias lutam e tentam vencer a discriminação, o preconceito, a perseguição.

Se leste esta minha pequena reflexão espero que tenhas curiosidade de continuar a ler este texto. Irá ajudar-te a entender o que é o albinismo. Assim como, porque é que assassinam tantos albinos em África.

E quiçá, ajudares as pessoas que te rodeiam a pensar de forma diferente. Levá-las a entender que não se deve julgar um outro ser humano somente pela sua aparência.


Nastya Zhidkova

Nastya Zhidkova, modelo russa (albina).


Relativamente à palavra albinismo, vem do latim albus que significa branco. O termo mais comum usado para designar um organismo afectado por albinismo, é albino (a). Este ” termo é desumanizador. Mas muitas pessoas com albinismo referem-se a si mesmas como albinos.”

O albinismo trata-se de “uma anomalia rara, não contagiosa, herdada geneticamente e que ocorre em ambos os sexos”, independentemente da nacionalidade. Tal, acontece um pouco por todo o mundo.

Incluindo, não só humanos, mas animais e plantas.

Esta alteração genética não é considerada uma doença. Existem, é doenças associadas a esta condição.

O albinismo é uma característica congénita, ou seja, ela nasce com a pessoa e acompanha-a por toda a vida.

Segundo os especialistas, o albinismo manifesta-se através de um gene autossômico recessivo. Para este se manifestar é necessário que seja herdado tanto do pai como da mãe.

Portanto, “quando acontece a coincidência de o pai ter o gene do albinismo alterado e a mãe também ter o gene do albinismo alterado, embora eles sejam sadios, os filhos podem herdar deles os dois genes alterados. O que originará uma criança albina.”

O tipo mais comum é designado de “Albinismo do Tipo 1”. Este, é causado pela ausência da tirosina, enzima responsável pela produção de melanina. Esta substância dá cor à pele, cabelo e olhos.

Portanto, a falta de pigmentação, causada pela ausência de melanina, origina características físicas diferentes. Um albino, tem a pele, olhos e cabelos (quase) incolores. Assim como, são extremamente mais vulneráveis à exposição ao sol e à luz brilhante.

Como os albinos são mais susceptíveis à luz ultravioleta, desde a infância que têm imensa dificuldade em ver durante o dia. Porque a sua íris não tem pigmento. O que facilita a entrada de luz em excesso. “Os albinos têm uma visão em torno de 20 % a 50 %, no máximo.

As principais doenças associadas à falta de pigmento são, a miopia, astigmatismo, hipermetropia, fotofobia, estrabismo e nistagmo.

A falta de pigmentação também “pode promover mutações que podem levar ao desenvolvimento do cancro de pele, e a graves queimaduras solares.”

Devido à exposição ao sol, a pele quando não protegida envelhece muito precocemente. Principalmente, para os albinos que vivem em climas tropicais. Estes, por vezes, ficam com várias feridas espalhadas um pouco por todo o corpo, por causa das intensas temperaturas.

Observa os cuidados que cada ser humano numa condição destas deveria de ter.

Os albinos deveriam recorrer a um dermatologista com regularidade. Assim como, deveriam proteger-se com protector solar, pelo menos três vezes ao dia.

Só para teres uma ideia, devido à sua pele ser extremamente sensível basta meia hora ao sol para a pele ficar logo queimada.

Deveriam também usar roupas de manga comprida, mas não demasiado claras. Pois dificulta os albinos a verem durante o dia.

Para além dos cuidados com a pele, deveriam proteger especialmente o cabelo, e os olhos. Ou seja, deveriam usar protecção na cabeça, e usar óculos de sol, pois estes são fundamentais.

Também deveriam de ir com regularidade a um oftalmologista. As doenças de visão associadas ao albinismo podem originar cegueira.

Imagina agora, famílias pobres. Como é o caso dos moradores albinos da Ilha dos Lençóis, no Maranhão (Brasil). Ou, a situação dos albinos africanos. Muitas destas famílias possuem mais do que um membro portador de albinismo. Mas elas não têm possibilidades financeiras para comprar sequer um protector solar, muito menos para irem a um médico!

Sinto-me revoltada perante as sociedades! Reparo que cada vez mais existe uma grande desigualdade social.

Também verifico que a ”Declaração Universal dos Direitos Humanos” não passa de uma ilusão. Esta, não é colocada em prática! Visto que muitos seres humanos não têm acesso aos direitos mais básicos de saúde.


Crianças albinas (Brasil).


São demasiadas as privações e condicionamentos na vida de um albino. A sua condição física causa-lhes imenso sofrimento. E para além desta, infelizmente também sofrem muito psicologicamente. Em muitos casos (África) são mal tratados fisicamente, por parte de pessoas racistas.

Enquanto crianças e mais tarde adolescentes, são vítimas de bullying. Mas, infelizmente a discriminação não termina nas escolas.

A sociedade constituída de seres humanos considerados “normais” e “perfeitos” discriminam os albinos mesmo na idade adulta.

Na minha opinião, a culpa é da falta de educação, de informação, de sensibilização, por parte dos pais, assim como, das escolas. Pois as crianças consideradas “normais” crescem a desconhecer o “porquê” da existência de pessoas diferentes.

Por causa de tal facto, a sociedade cria pessoas demasiado preconceituosas. Ę o preconceito é somente gerado pela ignorância.

Os seres humanos comuns, os “normais” que de normais nada  têm, pois todos são imperfeitos, deveriam conseguir colocar-se no lugar de uma pessoa portadora de albinismo.

No meu parecer, bastavam alguns minutos.

Se deste modo conseguissem imaginar o sofrimento destas pessoas, talvez percebessem o sofrimento pelo qual os albinos passam.

Talvez conseguissem sentir a dificuldade que têm em ver, em ler. Ou a dor que sentem quando descobrem que têm cancro.

Talvez entendessem que a discriminação, o preconceito os magoa, fazendo-os sentir-se inferiores. Quando na realidade não o são!

Acredito, se os seres humanos conseguissem colocar-se no lugar destas pessoas deixariam de ser racistas.

A diferença não deve originar separação, até pelo contrário, deve gerar união!

A maioria das pessoas que se consideram ser, seres humanos, deveriam comportar-se como tal. Deveriam ser mais sensíveis ao ponto de entender as limitações de um outro. Pois este, é igual a si!

Deveriam entender que se deve valorizar mais o interior do que o exterior de uma pessoa.

Ao invés de os discriminarem e maltratar, deveriam ajudá-los a inserirem-se na sociedade.

Os albinos deveriam ter os mesmos direitos que todos nós. E não, o que na realidade se passa!

Felizmente existem muitos albinos que têm voz própria! Estes, não desistem de si, vão à luta e marcam a diferença! Mostram às pessoas preconceituosas que lá por serem diferentes fisicamente também são seres humanos com sentimentos, com vida própria!

Vou dar-te dois exemplos:

Sarah Wright (18 anos) uma inglesa albina superou o sofrimento causado pelo bullying. Alguns colegas da escola chegaram a atirar-lhe pedras e latas de bebida para a assustarem.

Incentivada por uma amiga, Sarah inscreveu-se num concurso de beleza, e ganhou!

Ela referiu, “estou feliz que consegui provar aos que me agrediram que eles estavam errados. Durante anos eles fizeram da minha vida um inferno. Agora sei que não preciso de me esconder, tenho orgulho de ser quem sou!”

Thando Hopa, uma jovem advogada (sul-africana e albina) decidiu transformar-se em modelo. Para que deste modo pudesse lutar contra o preconceito em torno do albinismo.

São várias as pessoas nesta condição que tentam mudar as mentalidades das pessoas retrógradas.

Mas, infelizmente ainda existem muitas pessoas que preferem viver na ignorância. Ao invés de se informarem verdadeiramente.


Sarah Wright

Thando Hopa


Conseguir um emprego, é um outro problema com que os albinos se deparam. Principalmente, por causa da sua aparência e dos problemas de visão.

É demasiado revoltante constatar-se tal facto! Todos deveríamos de ter oportunidade de ser aceites como “normais”, apesar das diferenças.

É necessário começar-se a olhar para estas pessoas com um olhar renovado. Não somos ninguém para as discriminar, muito menos para julgá-las pela sua aparência.

É do nosso conhecimento que a discriminação e o preconceito são bem visíveis em todas as sociedades. Mas, existe um local no mundo em que a discriminação toma formas horrendas, violentas, cruéis.

Refiro-me a África. Neste continente, os albinos não podem viver tranquilamente.

A vida em África é dificultada em muitos aspectos. Os albinos têm de trabalhar ao ar livre. O que significa estar sob alta temperatura. Esta, queima-lhes a sua pele frágil, causando-lhes feridas.

Um estudo efectuado na “Nigéria, mostrou que 50% dos albinos apresentavam cancro de pele aos 26 anos. Na Tanzânia, 80% dos albinos estudados desenvolveram a doença na casa dos 30 anos. Menos de 10% das pessoas albinas na África sub-saariana sobrevivem depois dos 40 anos.”


Albinos africanos

Crianças albinas (África).

Para além de tentarem sobreviver devido ao cancro de pele, e aos problemas de visão. Os albinos africanos também são alvo de extrema violência.

Só para teres uma ideia, os albinos temem pela sua vida enquanto dormem. E durante o dia vivem com medo de serem apanhados pelos “caçadores” de albinos. Termo que usam para nomear os assassinos que perseguem e matam as pessoas albinas.

A cada novo dia as perseguições são constantes.  O pânico que sentem ao saberem que podem ser mortos ou mutilados é uma realidade.

Na “Tanzânia, de 2000 a 2013, houve 72 assassinatos de albinos, segundo o relatório das Nações Unidas de Setembro desse ano.”

Os assassinos não olham a meios para atingir os seus fins. Albinos adultos, crianças, e até mesmo bebés são mutilados ou mortos cruelmente.

Neste país, é onde existe uma das maiores incidências de albinos do planeta. Apesar destes serem em maior número, eles são severamente discriminados. Não só pela sua aparência invulgar, para um africano. Mas também porque existem diversas lendas em torno dos albinos. Por exemplo, “se existe fome, eles o causaram, se existe inundações eles o causaram, se outras pessoas atacam os campos e destroem as plantações as pessoas com albinismo são as culpadas.”

Os médicos bruxos acreditam (e levam outros a acreditar) que “partes do corpo de um albino são ingredientes importantes para a produção de porções que curam doenças e atraem sorte e riqueza.

“Alguns até acreditam que a feitiçaria é mais poderosa se a vítima gritar durante a amputação, de modo que as partes do corpo são muitas vezes cortadas quando a vítima ainda está viva.”

Esta crença que diz que pessoas albinas possuem poderes mágicos é demasiado arcaica.

A jornalista Vicky Ntetema desvendou a realidade por detrás dos médicos bruxos, na Tanzânia. Ela diz o seguinte, “(…) as pessoas com albinismo neste país são consideradas fantasmas, maldições, demónios e não seres humanos. Porquê matá-los? Para aqueles que os matam significa remover a maldição. Os médicos bruxos fazem uma lavagem cerebral a estas pessoas, e elas acreditam.

Na Tanzânia, os albinos são mortos porque as pessoas que querem ser ricas vão até aos médicos bruxos. Perguntam a estes médicos, o que posso fazer para ficar rico? E eles dizem-lhes que têm de arranjar um pedaço do corpo de uma pessoa com albinismo, e depois voltar com esse pedaço. Ou levar a parte do corpo do albino para o local de trabalho, e depois ficarão ricos. Ou tira-lhes o sangue e bebê-lo, e depois ficarão ricos. Ou comer o fígado de uma pessoa com albinismo, e depois ficarão ricos.”

Segundo Vicky Ntetema, “a maior parte da população em África, incluindo a Tanzânia, acredita em bruxaria. E acreditam que os médicos bruxos podem atirar um feitiço contra uma pessoa e que lhe fará mal. Mas para mim, nem pensar! Isto é algo que não pode acontecer. Foi na minha ida até às tendas dos médicos bruxos que eu tive a ideia de dizer aos bruxos que eu sou uma mulher de negócios , interessada na pesca e extração mineira nas montanhas e que queria ficar rica!

Entrei para ver 11 desses médicos bruxos. Apenas dois admitiram usar partes de albinos, os outros não! (…) os dois médicos bruxos disseram-me que usam os ossos das mãos e dos braços (moídos). Com este tipo de “pó”, fazem um amuleto. Usam este amuleto para a pesca. Porque quando atiras a rede de pesca, tens de a puxar do lago ou oceano, e por isso usam estas partes do corpo de um albino. Ou também dizem  para se espalhar algum do “pó” no cabelo e na água, e assim atrairá mais peixe para a rede.

Relativamente  ao sangue de uma pessoa albina, eles dizem, se verteres o sangue de uma pessoa com albinismo numa zona mineira o sangue irá levar-te até à pedra que tem mais ouro ou diamantes. Também dizem que ossos da perna ou pernas de pessoas com albinismo podem ser usados como detectores de metais.”

Quanta ignorância!

Existem crenças que deveriam de ser erradicadas, isso sim!

Como é que seres, que se consideram seres humanos, têm coragem para matar (ou mutilar) um outro ser igual a si?

Na minha opinião, as crenças, conjuntamente com o dinheiro, corrompem a mente das pessoas. Principalmente das mais influenciáveis.

No meu parecer quem origina seres humanos assassinos são as próprias sociedades. Estas, preferem manter o seu povo na ignorância do que transmitir-lhes o verdadeiro conhecimento.

Se houvesse mais informação a circular nestes países, talvez os povos entendessem que o albinismo não é uma maldição, nem uma benção. Como muitas pessoas julgam. Mas, algo que pode acontecer com qualquer ser humano e em qualquer parte do mundo.

Menina albina, mutilada (África).


Menino albino, mutilado (África).


Repara no absurdo a que a espécie humana chegou!

Os “caçadores” de albinos lucram imenso dinheiro. Seja somente com algumas partes ou com um corpo. Estes, são vendidos para fins de “medicina” e “feitiçaria”.

Segundo um relatório da ONU, “um cadáver de albino completo, incluindo braços, pernas, genitais, orelhas, língua e nariz, custa aproximadamente US$ 75 Mil, na Tanzânia.” Ou seja, mais de 50 mil euros.

Já imaginaste?

É demasiado revoltante, demasiado desumana esta situação!

Infelizmente, assim vai o mundo!

Seres humanos a chacinarem os da sua própria espécie!

Volto a mencionar, o que origina tal, é a falta de informação, de educação, assim como, das crenças arcaicas. Na falta de sensibilização, os seres humanos agem de forma irracional.

As pessoas (se é que se lhes pode chamar de tal) que assassinam são seres horríveis, frios, calculistas. Mas os compradores (que decidem comprar partes de um corpo ou corpos completos) são seres ainda mais cruéis. Estes, têm conhecimento de que o dinheiro é poderoso. Assim como, sabem que as crenças também o são. E têm consciência de que as pessoas ignorantes são influenciáveis. Pois elas farão qualquer coisa por dinheiro.

Neste continente, muitos bebés são mortos logo à nascença. Pois existem pessoas que consideram o nascimento de uma criança albina uma maldição. Outras, preferem matar (ou abandonar) os seus filhos. As mães têm consciência desta dura realidade. Sabem que se o seu filho vivesse iria sofrer muito com a perseguição, mutilação ou morte.

Consegues imaginar o pânico que as famílias sentem ao saberem que o seu filho nasceu albino? Sabendo que as suas crianças nunca terão paz?

Não é uma decisão fácil ter-se de escolher, se o seu filho deve viver ou morrer mal acaba de nascer.

É demasiado horrível de se imaginar, e mais difícil de se entender tal dor.


Crianças albinas (África).


Bebé albino (África).


Segundo a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, diz que “estes crimes são abomináveis. As pessoas com albinismo têm o direito de começar a viver, como qualquer outra pessoa, sem medo de serem mortas ou desmembradas.”

Infelizmente, torna-se difícil combater tal chacina. Visto que os governos assim como a polícia mal os conseguem proteger. Isto, quando a polícia não é comprada! Existe a desconfiança que a polícia colabora com os “caçadores” de albinos.

Um grupo de especialistas independentes da ONU que lutam contra a discriminação, disseram que “estas pessoas são vistas como fantasmas, e não seres humanos, que podem ser varridos do mapa mundial.”

Existem muitos mitos sobre o albinismo, um deles é que uma pessoa com albinismo não morre, eles desaparecem! “E isto é dito pelos próprios médicos, médicos clinicos! Eles dizem, “mas é verdade, nunca vimos uma campa de uma pessoa com albinismo!”

É claro que não podem ver uma campa de uma pessoa com albinismo! Ninguêm escreve no túmulo que determinada pessoa era albina. Os túmulos são identificados pelos seus nomes!!

Por muitas pessoas os verem deste modo, é que as mutilações e mortes continuam.

Sinceramente!!

Mundo cruel em que vivemos! Principalmente nestes locais, onde se comete tamanha atrocidade.

Estes seres humanos não têm culpa de terem nascido assim. São simples inocentes que nunca cometeram um crime. E, mesmo assim, são mortos sem compaixão.

São imensos os testemunhos de albinos africanos que já perderam a noção da quantidade de vezes que conseguiram fugir da morte. Mas os que são apanhados têm um fim trágico.

Só para teres uma ideia da desumanidade cometida, verifica o sofrimento pela qual uma vítima passa.

“Uma criança de sete anos foi morta antes de ser desmembrada. O avô que a defendia, também foi morto.

Um bebé de sete meses foi agredido, mas escapou à morte ao ser protegido pelos aldeões.

Uma mulher de 39 anos foi atacada enquanto dormia, por vários homens, incluindo o marido. Ficou sem o braço esquerdo.

Uma criança albina de dez anos foi atacada a caminho da escola, por dois homens que lhe cortaram o braço esquerdo, de acordo com o comunicado da ONU.” (SIC Notícias)

Infelizmente, nem na família podem confiar!

Nascer-se albino num lugar destes é demasiado angustiante!

Imagina a aflição que sentem a cada novo amanhecer, a cada novo anoitecer.

É lamentável esta situação!

Mesmo depois de assassinados (os que não sao vendidos no mercado negro) ou até os que morrem de morte natural, são desenterrados das suas campas pelos fornecedores dos feiticeiros.

Para evitar que tal aconteça, familiares enterram os seus parentes em locais que não possam ser encontrados. Por vezes, dentro das próprias casas, ou seja, debaixo do chão.

Mulher albina, mutilada (África).


Segundo a ONU, “a Tanzânia é o país africano onde existem mais albinos. E onde também existem mais ataques. A seguir a este, segue-se Burundi, Quénia, República Democrática do Congo, Suazilândia, África do Sul e Moçambique.

Pressionados pela comunidade internacional, o governo e a Justiça da Tanzânia estão a dar mais atenção à repressão à caça dos albinos. Estes, condenaram à morte os homens que abateram e esquartejaram um rapaz de 14 anos. No país, foi a primeira aplicação da pena de morte a esse tipo de assassinato.

Somente cinco pessoas foram condenadas pelos 72 assassinatos de albinos nos últimos 6 anos.”

Josephat, activista da sociedade de albinos da Tanzânia, diz “é preciso descobrir onde está o mercado: quem encomenda os pedaços de albinos? Enquanto não descobrirem, os crimes vão continuar.”

Consoante a deputada Alshaymaa Kwegyir (primeira albina na Tanzânia que chegou a tal cargo), esta refere que existem “poucas condenações, porque todos esses rituais são secretos e é muito difícil achar provas para condenar os assassinos de albinos.”

Devido a tal impunidade, os albinos vivem apavorados, pois sabem que os assassinos não são presos.

“A ONU acredita que a maioria dos ataques não são registrados por causa do medo de familiares das vítimas.”

Devido a tal desumanidade, o governo criou nove abrigos para proteger os albinos.

Os abrigos situam-se perto do Lago Vitória, entre a Tanzânia, o Uganda e o Quénia. Visto que é nestes locais onde ocorrem a maioria dos ataques.

Muitas crianças albinas ficam internadas nestes abrigos. Algumas destas crianças não voltam para casa.

Os abrigos fazem lembrar os campos de concentração, devido às redes que os protegem. Realmente, é demasiado revoltante! Pessoas inocentes têm de viver privadas do mundo envolvente porque a sua própria espécie os “caça”, como se de animais se tratassem. Nem aos animais de deve fazer tal, quanto mais a seres humanos!

Só  para teres uma ideia, “sequestros e assassinatos foram registrados em 15 países africanos.”

Para além de tudo o que foi mencionado, acrescento ainda o facto de existirem muitas famílias que negligenciam a educação dos seus filhos. As crianças albinas que frequentam a escola sofrem grave assédio moral.

Nas escolas, muitas destas crianças não são aceites pelos próprios professores. Estes, têm medo que as crianças portadoras de albinismo contaminem os alunos saudáveis.

As crianças que frequentam uma escola são colocadas de parte pelos seus colegas.

É demasiado revoltante! E mais revoltante, é saber-se que os professores são demasiado preconceituosos, demasiado ignorantes. Estes, deveriam ser os primeiros a explicar às crianças “normais” que uma criança albina não é nenhum monstro contagioso, mas um ser humano igual aos restantes.

Crianças albinas atrás das redes que protegem os abrigos (África).


Criança albina, mutilada (África).


Em “África, a proporção é de 1 albino a cada 6 mil nascimentos.

Na Tanzânia, “um país de 48 milhões de habitantes, tem uma das maiores incidências de albinismo no mundo – 1 em cada 1.429 pessoas nasce albino.”

Como se pode constatar, só no continente africano a frequência é três vezes maior que a média mundial. Onde, 1 a cada 18 mil pessoas tem albinismo.

No Brasil, existem cerca de 10 mil, já que a maioria dos albinos deste país tem migração africana.

Devido ao número de pessoas portadoras de albismo espalhadas pelo mundo, principalmente, no continente africano, percebe-se perfeitamente que é a falta de conhecimento que gera a confusão, que gera a ignorância, logo a exclusão social e o racismo.


Família, com os seus filhos albinos (África).


O albinismo acontece em todo o reino animal. Incluindo insectos, peixes e até plantas podem ser portadoras de albinismo.

Assim como as pessoas, os animais albinos vivem com muita dificuldade. E o tempo de vida destes é demasiado curto, pois não conseguem sobreviver na natureza.

São presas fáceis dos predadores por causa da sua cor branca que os denuncia.

Geralmente não deixam descendentes.

Devo referir que nem todos os animais brancos são albinos.

“Uma característica que pode ser observada em animais albinos são os olhos vermelhos que também são atingidos pela falta de pigmento.”

Sendo portadores de albinismo, os animais, semelhantes aos seres humanos, “(…) sofrem com queimaduras solares que, a médio e longo prazo, levam à formação de tumores cutâneos e oculares.”

Muitos destes animais são levados para cativeiro, onde sobrevivem um pouco mais de tempo. Graças aos cuidados especiais por parte dos tratadores.

Dou-te alguns exemplos de animais portadores de albinismo.

Dispersos pelo mundo, existe o porco-espinho albino; o canguru albino; a serpente albina; a píton da birmânia, como é nomeada, é uma cobra albina considerada uma das maiores do mundo; jacaré albino (muito raros); veado albino; gorila albino; sapo albino; coala albino; tigre albino (raro); lagosta albina (rara); golfinho albino; esquilo albino; peixe albino (a anomalia ocorre em peixes uma vez a cada 100 mil indivíduos); macaco-prego albino (raro); guaxinim albino (raro); tartaruga albina; aranha albina, entre outros.


Canguro albino.

Canguro albino

Gorila albino


Relativamente ao albinismo nas plantas, este “surge devido a mutações genéticas que podem fazer com que os cloroplastos, que produzem a clorofila, nasçam inactivos. Desta forma, passam a chamar-se leucoplastos e são incapazes de produzir clorofila, responsável, pela coloração verde. Sem clorofila, não se realiza a fotossíntese, a reacção química que dá energia ao vegetal – assim a sobrevivência da planta fica comprometida só enquanto houver energia na semente.”

Exemplo de uma planta albina, Digitalis purpurea.


Digitalis purpurea


Com toda a informação mencionada neste texto, constataste que o albinismo é uma anomalia rara, herdada geneticamente. Esta condição, priva as pessoas de viverem normalmente o seu dia-a-dia. Impedindo-as, principalmente de lidarem com a exposição solar. Devido, portanto, à falta de pigmentacao (na pele, olhos, cabelo) causada pela ausência de melanina.

As doenças associadas ao albinismo, como é o caso do cancro de pele ou dos problemas de visão que podem levar a cegueira, provocam imenso sofrimento nas pessoas.

Para além de tudo isto, ficaste a saber que um pouco por todo o mundo as pessoas portadoras de albinismo sao discriminadas e excluídas da sociedade.

Principalmente, em vários países de África. Nestes, os albinos são perseguidos por causa de crenças arcaicas, mortos ou mutilados. E os seus corpos ou partes, vendidos no mercado negro.

Para concluir, informo que não existem curas milagrosas para as pessoas portadoras de albinismo. Cada pessoa que sofre desta condição deve prevenir-se, principalmente, evitando o sol.

Acrescento ainda que existem várias Organizações não Governamentais que se encontram no terreno a ajudar os albinos africanos.

Espero que este texto tenha sido esclarecedor. Assim como, desejo que ganhes consciência do sofrimento que cada albino passa. De modo, a não discriminares um ser diferente de ti.

Lembra-te, apesar das diferenças físicas, das limitações, são seres exactamente iguais a todos nós!


Família nigeriana, com o seu filho albino (África).


Deixo aqui alguns documentários bastante elucidativos:




Webgrafia

http://www.onu.org.br/ataques-ritualisticos-contra-pessoas-com-albinismo-na-tanzania-preocupam-especialistas-da-onu/

http://www.onu.org.br/onu-condena-assassinatos-e-multilacoes-de-pessoas-com-albinismo-na-tanzania/

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2013-03-05-onu-denuncia-homicidios-supersticiosos-de-albinos-na-tanzania1;jsessionid=2E64775CDE3CA0CC7C1C68345838FAFB

http://albinismoemdetalhe.blogspot.com/

http://www.albinoincoerente.com/search/label/Albinismo

http://noticias.terra.com.br/educacao/voce-sabia/afrodescentes-e-indigenas-podem-ter-albinismo,8d7330d211d62410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL687984-5602,00-ALBINOS+SAO+MORTOS+PARA+PRATICA+DE+BRUXARIA+NA+TANZANIA.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Albinismo

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/10/1355974-albinos-sao-alvo-de-mutilacoes-e-assassinatos-em-paises-africanos.shtml

http://www.infopedia.pt/$lago-vitoria;jsessionid=44RsqHxEC6AKwmxcRLw5AA__

http://noticias.terra.com.br/educacao/voce-sabia/todo-animal-branco-e-albino-descubra,3f98da38d43da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

http://11biogeogondomar.blogspot.com/2010/10/albinismo-em-plantas.html

http://www.vice.com

www.youtube.com/watch?v=d83AGrexKBk

www.youtube.com/watch?v=mj8DPYwWj84

www.youtube.com/watch?v=-RaLL8lmyJI


“moídos”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,http://www.priberam.pt/dlpo/mo%C3%ADdos[consultado em 09-07-2014].

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