Como é do nosso conhecimento, no passado a origem da vida era explicada através da Bíblia, ou seja, tudo o que existia era obra de “Deus”. Era ensinado às pessoas (e infelizmente, ainda prevalece esta ideia, nas culturas dos dias de hoje), por exemplo, que a Terra tinha 6.000 anos (hoje sabemos, que a Terra tem 4,6 biliões de anos). Portanto, presumia-se que a origem do homem fosse recente.


Em 1859, Charles Darwin provocou uma revolução, com a publicação do livro A origem das espécies. Esta revolução não aconteceu apenas nas ciências biológicas, mas no conceito filosófico e moral que o homem ocidental tinha de si mesmo.

Foi em 1837 que Darwin começou a duvidar de que as espécies fossem permanentes e imutáveis, e embora de 1837 a 1859 tenha-se ocupado com várias actividades científicas, esta questão da origem das espécies (o que os cientistas daquele tempo chamavam de “mistérios dos mistérios”) estava sempre presente no seu pensamento.

Darwin, após ler o trabalho de Thomas Malthus, compreendeu que devia haver uma selecção entre a prole para resolver quais devem sobreviver e quais perecerão. Visto que os indivíduos de uma mesma espécie variam entre si. Os indivíduos com certas características que lhes trazem vantagem para conseguir alimento ou para escapar dos predadores, por exemplo, terão maior probabilidade de sobrevivência.

Para além de Darwin, o naturalista Alfred Russel Wallace também descobriu o princípio de selecção natural (1858). Ou seja, antes de Darwin publicar o resultado das suas pesquisas.

Wallace e Darwin não se conheciam pessoalmente. Eles corresponderam-se (por carta) sobre a questão de serem ou não as espécies permanentes. Um dia, Wallace enviou um pequeno ensaio a Darwin cujo título era “Da tendência das variedades de se afastarem indefinidamente do tipo original”, o autor explicava os princípios da selecção natural, mas não fazia a mínima ideia que Darwin já havia descoberto a selecção natural.

Ambos agiram generosamente, pois os dois tinham chegado a esta ideia, do princípio da selecção natural, através da leitura de Malthus. Wallace sempre creditou a Darwin a descoberta da selecção natural.

Darwin conseguiu apresentar um mecanismo plausível para explicar a modificação das espécies: selecção natural. Segundo este autor, a selecção natural pode explicar a evolução biológica (ou o que ele chama de “descendência com modificação”). Ele mostrou de que modo ” a descendência com modificações” pode ter como resultado o aparecimento de novas espécies.

Assim como, o homem pode efectuar mudanças espantosas nos animais domésticos, seleccionando artificialmente características que considera desejáveis, a natureza “selecciona” os membros de uma espécie mais capazes de enfrentar os rigores da vida. De acordo com a mudança das condições ambientais, a selecção natural encarrega-se de fazer com que certas características de uma população casualmente variada sejam favorecidas.

A origem das espécies conseguiu duas coisas: reuniu toda a evidência a favor da evolução e descreveu um mecanismo pelo qual as espécies podiam ser formadas.

Só no século XX é que nos foi possível apreciar verdadeiramente o génio da tenacidade de Darwin. Com o aparecimento da genética moderna, a detalhada observação de campo e a pesquisa de laboratório tem nos mostrado o real poder explanatório das teorias de Darwin.

Os trabalhos dos geneticistas de população, como Sir Ronald , J. B. S. Haldane e Sewall Writh, tornou-se aparente que a síntese do trabalho de Darwin sobre selecção natural com o trabalho de Gregor Mendel sobre genética, tem como resultado um quadro coerente e inteligível da mudança evolutiva. Isto foi chamado de síntese neodarwiniana: darwiniana porque aceita a selecção natural, “neo” porque usa teorias da hereditariedade desconhecidas de Darwin.

Passado mais de um século, depois de um enorme número de pesquisas no campo da genética, paleontologia, embriologia, anatomia comparada e fisiologia, bioquímica e ecologia, podemos compreender mais plenamente a evolução da vida, e o conceito actual revalida inteiramente as teorias de Darwin.

Portanto, podemos constatar que a teoria da evolução é a pedra fundamental da moderna biologia, sendo o livro de Darwin o completo alicerce dessa teoria.

Darwin, C. 1982 [1872]. A origem das espécies

Espero que com esta pequena síntese vos tenha suscitado curiosidade de saber mais, para além do que as religiões no geral nos transmitem. Devemos sempre questionar-nos de tudo, principalmente, devemos acreditar nas evidências, e na minha opinião, não devíamos (apesar de respeitar as pessoas que têm fé) acreditar em algo subjectivo (que supostamente nos criou). Nós não aparecemos aqui por obra do acaso, existem explicações científicas que nos demonstram tal, e a teoria da evolução das espécies, é uma delas.

Sugiro que vejas os documentários (abaixo), de Richard Dawkins. Este biólogo, mostra-nos como A origem das espécies de Charles Darwin “mudou para sempre a nossa visão em relação ao mundo e o nosso lugar nele.”




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