Já alguma vez alguém te ensinou a observar uma árvore?

Sabias que a palavra que nos dá a conhecer um ser, também nos separa desse mesmo ser?


O que vês quando observas uma árvore?

Talvez respondas, “eu só vejo uma árvore”.

Mas vês a árvore através da palavra que a descreve ou vês realmente a árvore? Isto, sem a palavra que te faz recordar, que estás a observar uma árvore.

Posso dizer-te que a palavra separa-te da árvore. Já pensaste nisto?

Por isso respondes, que só vês uma árvore.

Mas, a árvore é muito mais do que uma simples árvore. Se retirares a palavra que a nomeia, é muito mais do que a mera palavra.

Se entenderes tal, irás conseguir ver a árvore na sua totalidade.

Experimenta!

Senta-te no chão, em frente a uma árvore. E tenta abstrair-te da palavra “árvore”. Se conseguires alcançar este estado, vais reparar que algo novo surge no teu olhar.

A palavra “árvore” irá desaparecer. Ficarás somente tu e a árvore, em sintonia uma com a outra.

Quando olhares para a árvore, abstrai-te de tudo o que a envolve. Foca-te somente na árvore. Irás vê-la a sobressair do belo cenário onde se encontra.

O teu olhar, irá apreender a sua beleza. Conseguirás ver as várias cores existentes no tronco, nos ramos, na folhagem. Uma árvore não tem somente uma cor. Tem uma variadade incrível de tonalidades.

Percepcionarás as pequenas fissuras, as diferentes texturas que existem na casca. Perceberás que o interior do invólucro que envolve o tronco, é húmido. O seu aroma é fresco. Semelhante ao odor do musgo.

Começarás a ver os nódulos dos simples ramos. E todas as belas ramificações existentes na totalidade da árvore.

Ao examinares a copa, perceberás que a espessura dos ramos vão variando. Verás que muitos dos ramos são mais finos, do que outros. Perceberás a delicadeza, a fragilidade de cada um. E ao mesmo tempo entenderás que são resistentes, às adversidades do seu ambiente.

As raízes que as mantêm agarradas ao solo, não as verás. Mas saberás da sua existência. Porque as sentes. Isto, porque observaste a árvore na sua totalidade, sem a palavra “árvore”.

Saberás que as raízes percorrem uma distância enorme sob os teus pés. Ocultas do teu olhar. Mas presentes nos teus sentidos. Sentidos estes, que captarão ainda, a vivacidade, a grandiosidade, a beleza rara de uma simples árvore. Árvore esta, sem a palavra “árvore”.


De tudo o que eu escrevi, tenho noção de que as palavras que eu possuo são insuficientes para descrever tudo o que eu observo numa simples árvore.

Portanto, as palavras por serem limitadas não me permitem descrever o indescritível. O que sinto. O que vejo verdadeiramente. E por usar estas palavras já me estou a separar da essência das coisas…

Mas, o mais importante de tudo isto, deve aprender-se a amar as árvores. Elas são essenciais à nossa sobrevivência. Purificam o nosso ar, ajudam-nos a manter-nos saudáveis, vivos… Devemos respeitá-las, assim como respeitamos o nosso próximo. Para tal, deve saber-se ainda observa-las, sentir a sua existência.

Sem este tipo de sentimento, para ti, uma árvore não passará de uma simples árvore inanimada.


Desde pequena que eu sou apaixonada pelas árvores.

Sou sincera, abraço-as, toco-lhes, sinto-as, observo-as, trepo-as, beijo-as. De si, para mim, emanam uma energia que me garante que estão vivas. Apesar de não me retribuírem com um outro abraço, lá no fundo, sinto que elas de alguma forma me reconhecem.

Não, isto não é loucura, é saber amar a natureza com todo o meu coração.

Se aprenderes verdadeiramente a observar uma árvore, sem a dita palavra “árvore”, entenderás o que eu tento transmitir-te através destas minhas palavras.


Ana Daniela Magalhães Fernandes

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