Apesar de ser um tema pouco abordado nos meios de comunicação social, é algo que não podemos, e nem devemos ignorar. O tráfico humano existe, e é uma realidade cruel!

“A definição aceita internacionalmente para tráfico de pessoas encontra-se no Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas, contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças (Palermo, 2000), instrumento já ratificado pelo governo brasileiro. Segundo o referido Protocolo, a expressão tráfico de pessoas significa: o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.”

Portanto, o tráfico humano, como o nome indica, refere-se ao tráfico de pessoas. Ou seja, de homens, mulheres e crianças, sendo as duas últimas as mais vulneráveis.

Espalhadas pelo mundo, existem muitas redes de tráfico humano. Estas redes existem, porque as pessoas são enganadas por alguém. Deste modo, raptadas. Depois são transportadas para outros países, onde frequentemente são mudadas de local…

Com tudo isto, pretendo alertar as pessoas do perigo que correm. Não se deve confiar nas pessoas que acabamos de conhecer, por exemplo, numa discoteca, numa agência de viagem, ou numa agência de modelos. Estas agências, por vezes são falsas. 

Também existem ofertas cativantes de emprego, na Internet. Mas, deve-se ter muita cautela com elas. Infelizmente, muitas pessoas são seduzidas por propostas de uma vida melhor, e acabam numa rede de tráfico humano.

As redes sociais, é outra porta aberta para o tráfico humano. As pessoas falam com quem não conhecem, e muitas vezes são cativadas ao ponto de se encontrarem com desconhecidos. Desta forma, as pessoas são raptadas. Principalmente, crianças. Infelizmente, elas são as mais vulneráveis, as mais fáceis de iludir.

Uma vez inseridas na rede de tráfico, as pessoas (principalmente, as mulheres) são obrigadas a prostituírem-se, são maltratadas, violadas, e constantemente vendidas a preços exorbitantes.

As crianças são usadas para pornografia infantil.

Os homens são obrigados a trabalharem, a maior parte das vezes, em condições degradantes.

Como podemos constatar, as pessoas traficadas perdem o direito à vida, à dignidade, à liberdade. Roubam-lhes a sua identidade, e são escravas destas redes durante anos, e anos, a fio. Lamentavelmente, a maior parte das vítimas não consegue fugir. Portanto, são poucas as pessoas que conseguem regressar às suas famílias.

Por exemplo, em alguns países do Leste da Europa, a polícia, ao invés de ajudar as mulheres, aceita dinheiro dos traficantes. Deste modo, as mulheres traficadas passam a fronteira sem qualquer problema para os traficantes.

Sinceramente, é demasiado revoltante!

Quando tiveres oportunidade, visualiza “Human Trafficking de 2005”, este filme retrata a vida das vítimas de tráfico, assim como, o seu sofrimento.

Cenas do filme, Human Trafficking.

Como é possível, em pleno século XXI existir este tipo de escravatura?

No passado lutou-se para que a escravatura fosse abolida. Acreditamos que tinha sido erradicada. Mas, ela continua a existir. No meu entender, a escravatura nunca desapareceu. Ela só ganhou uma nova face.

Por isso, é que as pessoas continuam a ser escravizadas, e exploradas. Por “monstros” frios, calculistas, demasiado cruéis! Não são seres humanos, são monstros que só pensam em lucrar, em enriquecer à custa de pessoas inocentes, indefesas… 

Sinceramente, sofro imenso, só de imaginar a dor que as pessoas raptadas sentem. Ao que parece, pouco ou nada se pode fazer para as ajudar. Visto que as vítimas desaparecem sem deixar rasto.

O tráfico humano é considerado uma economia paralela. “É uma atividade altamente rentável que vem logo a seguir ao tráfico de armas ou de drogas».

“Com base no Relatório Global de Tráfico de Pessoas do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), a maior parte das pessoas traficadas é para a exploração sexual (79%), seguida pelo trabalho forçado (18%). Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo menos 12,3 milhões de adultos e crianças são explorados em trabalhos forçados e no sexo em todo mundo – 56% são mulheres e crianças.”

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, pode ler-se no “Artigo 3.º – Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo 4.º – Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Artigo 5.º – Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.”

Portanto, pode constatar-se que todos os seres humanos têm direito a ser livres, a serem tratados com dignidade… Infelizmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos não está presente na mente das pessoas gananciosas. Estas só pensam numa coisa, obter lucros exorbitantes à custa de vidas inocentes.


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